{"id":1526,"date":"2026-11-03T01:37:47","date_gmt":"2026-11-03T04:37:47","guid":{"rendered":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/?p=1526"},"modified":"2026-11-03T01:37:47","modified_gmt":"2026-11-03T04:37:47","slug":"economista-de-plano-real-acusa-bc-de-causar-rombo-fiscal-via-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/?p=1526","title":{"rendered":"Economista do Plano Real culpa Banco Central por rombo fiscal via juros"},"content":{"rendered":"<p>Um artigo recente assinado por Andr\u00e9 Lara Resende, economista que integrou a equipe respons\u00e1vel pela formula\u00e7\u00e3o do Plano Real, tem gerado forte repercuss\u00e3o ao responsabilizar o Banco Central (BC) pelo desequil\u00edbrio fiscal brasileiro por conta das elevadas taxas de juros. Formado pela PUC do Rio de Janeiro e com PhD em economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), nos Estados Unidos, o especialista defende a implementa\u00e7\u00e3o de novas diretrizes para o controle de despesas e da taxa b\u00e1sica de juros no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cAcuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacr\u00f4nica, a taxa de juros que \u00e9 a principal causa do desequil\u00edbrio fiscal que diz combater.\u201d<\/p>\n<p>O debate ganha ainda mais relev\u00e2ncia considerando que o Brasil ostenta a taxa de juros real mais alta do mundo, conforme apontam dados de ranking da Moneyou. Enquanto o mercado financeiro e a autoridade monet\u00e1ria justificam a manuten\u00e7\u00e3o da taxa Selic elevada com base nas press\u00f5es inflacion\u00e1rias e nos d\u00e9ficits das contas p\u00fablicas, o especialista questiona duramente essa premissa e argumenta que o foco do problema tem sido desviado erroneamente para os gastos prim\u00e1rios do governo.<\/p>\n<p>\u201cAcuso a grande imprensa de repetir, sem exame, que o problema est\u00e1 no gasto prim\u00e1rio, quando est\u00e1 nos juros. Acuso os analistas do mercado financeiro de confundir o interesse dos rentistas com a racionalidade econ\u00f4mica.\u201d<\/p>\n<p>D\u00edvida e d\u00e9ficit p\u00fablicos<\/p>\n<p>Apesar de admitir que o Brasil apresenta falhas na aloca\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos e gasta mal \u2014 citando como exemplos as emendas parlamentares, as vantagens salariais concedidas no \u00e2mbito do Judici\u00e1rio e as isen\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias de diversas naturezas \u2014, o economista demonstra que o d\u00e9ficit fiscal brasileiro \u00e9, na realidade, um dos menores em comparativo internacional.<\/p>\n<p>\u201cQuando se exclui o servi\u00e7o da d\u00edvida, as contas est\u00e3o praticamente equilibradas. A grande despesa do Estado \u00e9 com os juros sobre a d\u00edvida\u201d, escreveu.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria da d\u00edvida p\u00fablica demonstra um salto de 71,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2022 para aproximadamente 82,9% do PIB em agosto de 2026. Analistas de mercado frequentemente pressionam por cortes de despesas federais para conter essa escalada, o que costuma impactar diretamente programas sociais. Contudo, o professor pondera que a expans\u00e3o da d\u00edvida \u00e9 insustent\u00e1vel, mas reitera que a origem do problema n\u00e3o reside nos gastos prim\u00e1rios ou em servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, exceto durante a Covid, o resultado prim\u00e1rio foi apenas ligeiramente negativo; j\u00e1 o d\u00e9ficit nominal, puxado pelos juros, foi sempre alto e agora aproxima-se de 10% do PIB\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cO equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas n\u00e3o \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria e nem suficiente para o bom funcionamento da pol\u00edtica econ\u00f4mica\u201d, afirmou no artigo publicado no Substack.<\/p>\n<p>Para sanar o desequil\u00edbrio nas contas do governo, a alternativa apontada \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o da taxa de juros, visto que nos \u00faltimos doze meses os pagamentos de juros absorveram mais de R$ 1,1 trilh\u00e3o do or\u00e7amento nacional, montante equivalente a 8,9% do PIB.<\/p>\n<p>\u201cA economia tem um problema b\u00e1sico: a extraordinariamente alta taxa b\u00e1sica de juros. Um problema que tem solu\u00e7\u00e3o clara. S\u00f3 \u00e9 preciso vencer os preconceitos associados a uma teoria monet\u00e1ria e fiscal anacr\u00f4nica\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Juros e infla\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Em contrapartida, a posi\u00e7\u00e3o oficial do Banco Central \u00e9 de que a taxa de juros restritiva \u00e9 indispens\u00e1vel para conter a infla\u00e7\u00e3o, desaquecendo a economia e refreando a demanda agregada para induzir a retra\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os. Documentos oficiais do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reiteram que o dinamismo da atividade econ\u00f4mica, o mercado de trabalho aquecido e o comportamento dos gastos estatais exigem cautela.<\/p>\n<p>\u201cO Comit\u00ea reafirma a vis\u00e3o de que o esmorecimento no esfor\u00e7o de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de cr\u00e9dito direcionado e as incertezas sobre a estabiliza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica t\u00eam o potencial de elevar a taxa de juros\u201d, diz a \u00faltima ata do Copom.<\/p>\n<p>Apesar dos argumentos da autoridade monet\u00e1ria, Lara Resende contesta a premissa de que n\u00e3o existam alternativas ao arrocho monet\u00e1rio e critica a rigidez dos modelos macroecon\u00f4micos tradicionais que sustentam a rela\u00e7\u00e3o entre desemprego e controle inflacion\u00e1rio. Embora reconhe\u00e7a que uma queda nos juros possa gerar efeitos inflacion\u00e1rios iniciais, ele argumenta que tal impacto restringe-se ao curto prazo e possui car\u00e1ter transit\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA fragilidade conceitual e emp\u00edrica deste modelo macro convencional que pauta a pol\u00edtica dos BCs \u00e9 t\u00e3o flagrante que, apesar de ainda dominante e repetido na m\u00eddia como verdade incontest\u00e1vel, passou a ser criticado at\u00e9 mesmo pelos economistas mais conservadores\u201d, diz.<\/p>\n<p>Novo regime fiscal e monet\u00e1rio<\/p>\n<p>O ex-integrante da equipe econ\u00f4mica do governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC) refor\u00e7a que nenhum corte de gastos governamentais ser\u00e1 capaz de estancar o avan\u00e7o da d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao PIB se a taxa de juros n\u00e3o for alinhada \u00e0 taxa de crescimento nominal da economia. Como alternativa, ele prop\u00f5e um novo arranjo institucional para a pol\u00edtica fiscal e monet\u00e1ria, fundamentado na fixa\u00e7\u00e3o conjunta de metas de infla\u00e7\u00e3o e de juros para horizontes de m\u00e9dio prazo, estipulados entre quatro e cinco anos.<\/p>\n<p>\u201cAs metas de infla\u00e7\u00e3o seriam anunciadas em conjunto com metas para a taxa b\u00e1sica de juros. O BC se comprometeria a manter a taxa b\u00e1sica num intervalo entre a meta de infla\u00e7\u00e3o, 3%, e taxa de crescimento nominal potencial\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Adicionalmente, o especialista ressalta que o Banco Central disporia de instrumentos adequados para mitigar eventuais volatilidades no mercado de c\u00e2mbio decorrentes da mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria.<\/p>\n<p>\u201cCom reservas internacionais de mais de US$ 350 bilh\u00f5es, o BC tem muni\u00e7\u00e3o de sobra para isso\u201d, escreveu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Especialista aponta que a alta taxa b\u00e1sica de juros \u00e9 a verdadeira raiz do desequil\u00edbrio nas contas p\u00fablicas brasileiras.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1535,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_override_counter":[],"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1526","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-agencia-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1526"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1536,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1526\/revisions\/1536"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1535"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1526"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1526"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/plantaodanova.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1526"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}