Profissionais da rede pública de saúde passam a contar com um novo suporte tecnológico para realizar a triagem e o diagnóstico de enfermidades dermatológicas. A ferramenta, fruto de uma colaboração entre o Ministério da Saúde e o Hospital Israelita Einstein, emprega inteligência artificial para examinar condições da pele utilizando fotografias de lesões associadas a informações clínicas, sociodemográficas e epidemiológicas adaptadas ao cenário nacional.
Batizado de CUTIS-AI, o sistema em fase de testes tem capacidade para detectar patologias como hanseníase, leishmaniose cutânea, esporotricose, tuberculose cutânea, lobomicose, cromoblastomicose e feridas provocadas por picadas de aranha-marrom (acidentes loxoscélicos).
O software operará por meio de um aplicativo criado após consultas com equipes médicas da atenção primária. Entre os diferenciais técnicos está a funcionalidade offline, permitindo o uso em regiões desprovidas de sinal de internet, apresentando atualmente um índice de assertividade próximo a 80%.
Especialistas reforçam que a tecnologia atua estritamente como suporte auxiliar, não substituindo o julgamento clínico humano.
“O CUTIS-AI foi criado para ampliar a capacidade de identificação dessas doenças, que ainda podem representar um desafio para os profissionais de saúde, especialmente em regiões com menor disponibilidade de especialistas. Ao reunir imagens das lesões, estamos construindo uma base de dados robusta, que contribuirá para o desenvolvimento de uma tecnologia útil na ponta, principalmente para a Atenção Primária à Saúde”, destacou a cientista de dados do Einstein Hospital Israelita, Isabelle Carvalho.
Até o momento, a fase de pesquisa clínica avaliou aproximadamente 1,4 mil pessoas e catalogou mais de 4 mil registros fotográficos de lesões. Essa variedade de perfis visa aprimorar o aprendizado de máquina, preparando o algoritmo para reconhecer diferentes manifestações clínicas.
“Quando falamos em inteligência artificial aplicada à saúde, a qualidade e a diversidade dos dados são fundamentais. Uma tecnologia desenvolvida a partir de uma população específica pode não apresentar o mesmo desempenho quando aplicada a outros grupos. Por isso, construir uma base brasileira, com diferentes fototipos de pele, regiões, condições de vida e perfis epidemiológicos é essencial” ressaltou o secretário de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, Fabiano Geraldo Pimenta Junior.
Imagem ilustrativa de inteligência artificial na saúde / Crédito: Divulgação / Ministério da Saúde.
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Fonte: Agência Brasil
