Pesquisadores da Universidade de Atenas, na Grécia, identificaram e traduziram um papiro de 1.600 anos que conteria relatos sobre a morte de Jesus Cristo, sua descida ao submundo e o posterior retorno por meio da ressurreição.
O fragmento mede apenas cinco por sete centímetros e meio e estava guardado entre documentos inéditos da Biblioteca Nacional Austríaca. Escrito em grego antigo, o material foi examinado por uma equipe liderada por Amphilochios Papathomas e Mariana Thoma.
Origem e análise do manuscrito
Publicado no jornal “Tyche”, o estudo analisou o item catalogado como P.Vindob. G 29289. Embora a biblioteca não possua registros exatos da procedência do documento, os especialistas estimam que ele tenha vindo da região egípcia de Fayum ou de Hermópolis.
A datação foi estimada entre os séculos IV e V, período posterior à crucificação, mas inserido no contexto do cristianismo antigo. Como o fragmento apresenta lacunas pela falta de letras, os cientistas trabalham com a hipótese de que o texto fizesse parte de um sermão redigido por um líder religioso ou padre egípcio, embora outras composições litúrgicas não estejam descartadas.
Detalhes da tradução
Entre as passagens que chamaram a atenção dos especialistas, o texto traz trechos que mencionam a morte e o retorno de uma figura solitária. Os autores do estudo apontam que o sentido do fragmento remete à trajetória de Jesus.
“O sentido da passagem é provavelmente o de que somente Jesus, e ninguém mais, entrou no Hades e retornou por meio de sua ressurreição”, escreveram os pesquisadores.
A interpretação ganha força quando comparada a outros registros do cristianismo primitivo, como escritos atribuídos a Eusebius, que também abordam o tema da descida do Salvador às regiões mortuárias. Por outro lado, uma hipótese secundária aponta que o texto poderia se referir à descida de Jesus dos céus para a terra na condição humana.
Como não foi possível aplicar a técnica de datação por radiocarbono, a idade do papiro foi estipulada por meio de análises paleográficas e linguísticas, comparando a caligrafia com outros manuscritos da mesma época. A expectativa da equipe é que a divulgação acadêmica ajude a localizar novos fragmentos ou a obra original.
Foto: Frente e verso do manuscrito (Reprodução/Amphilochios Papathomas/Marianna Thoma)
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Fonte: Portal Extra
