A candidata à Prefeitura de Joanesburgo, Helen Zille, de 75 anos, conquistou visibilidade ao apostar em estratégias inusitadas de campanha para se aproximar do eleitorado jovem. Conhecida popularmente como “Vovó do Rally” ou pelo termo “Gogo” — gíria local para avó —, a política chamou atenção ao pilotar um carro de rally executando manobras radicais, como drifts e cavalos de pau, diante de eleitores surpresos com sua audácia.
Imagem ilustrativa de campanha de Helen Zille. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)
As movimentações nas urnas indicam que a ex-jornalista e ativista antiapartheid está prestes a quebrar um jejum político histórico. Caso se confirme o resultado apontado pelas últimas pesquisas eleitorais, ela tem grandes chances de se tornar a primeira prefeita branca da maior cidade sul-africana desde o fim oficial do Apartheid, em 1994, derrotando o ANC (African National Congress), partido histórico de Nelson Mandela.
Os levantamentos mais recentes colocam a legenda de Zille, o DA (Democratic Alliance), três pontos percentuais à frente da sigla governista. A disputa, no entanto, é vista pela candidata como a empreitada mais complexa de sua trajetória pública, conforme relatado por ela em entrevista ao jornal britânico Telegraph: “Será, sem dúvida, o maior desafio da minha carreira. Já administrei esferas governamentais antes e assumi o governo da Cidade do Cabo, antes governado pelo ANC. Assumi o governo do Cabo Ocidental, também antes governado pelo ANC, e o recuperei, mas nenhuma dessas esferas governamentais estava tão desestruturada quanto Joanesburgo”.
Zille também destacou o nível de infiltração criminosa na administração municipal atual: “Nenhuma dessas esferas do governo tinha organizações criminosas infiltradas, e é isso que torna Joanesburgo tão difícil”. Antes de ingressar na vida pública institucional, a candidata atuou como repórter investigativa e ganhou notoriedade nacional nos anos 1970 ao expor que o ativista Steve Biko, líder do Movimento da Consciência Negra, foi assassinado sob custódia policial em 1977.
A trajetória política da veterana é marcada por momentos irreverentes e fora do convencional. Meses antes da corrida eleitoral principal, ela apareceu em outra gravação operando um cortador de grama em vias públicas, acompanhada por um provocativo apelo aos adversários: “Sabemos que governar bem não é o seu forte, mas será que você poderia ao menos reservar cinco minutos para cortar a grama das ruas?”.
Para a postulante ao cargo máximo da metrópole, o pleito atual redefine prioridades políticas fundamentais no país africano, deixando de lado divisões raciais para focar na entrega de serviços básicos essenciais à população, conforme declarou ao periódico britânico no início da campanha: “Na África do Sul, as pessoas têm que fazer uma escolha: querem que a questão seja racial e viver sem água, eletricidade e todo tipo de outras coisas, ou querem que os problemas sejam resolvidos? É uma escolha muito simples”. Ela concluiu pontuando a tendência de mudança no comportamento dos eleitores: “E eu acho que, nesta eleição, muitas pessoas vão migrar para a área de prestação de serviços pela primeira vez”.
Fale com os jornalistas da Rádio Nova Fm 96.1 de Nova Andradina(MS)
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal Plantão da Nova? Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 98111-7869. O sigilo da informação está protegido e garantido nos termos da lei.
Fonte: Portal Extra
