Professores de língua portuguesa e redação receberam positivamente a proposta de redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deste año, centrada na valorização do Sistema Único de Saúde (SUS) como direito universal. O exame ocorre neste domingo (8) em território nacional, mobilizando estudantes de Nova Andradina e de todo o Brasil.
Pertinência e cotidiano
Educadores consultados pela Agência Brasil pontuaram que o assunto é altamente pertinente diante das desigualdades sociais do país. O tema oferece ampla margem para o uso de repertório sociocultural, já que o serviço faz parte da rotina dos cidadãos e ganhou ainda mais destaque durante a crise sanitária da covid-19.
“É muito importante a gente falar de saúde pública dentro de um país onde as desigualdades sociais são muito grandes”, afirma Tatiana Nunes, professora de redação e linguagens em escolas do Rio de Janeiro.
Para a docente, a rede pública exige maior valorização e investimentos proporcionais à sua imensa base de atendimento, que abrange centenas de milhões de brasileiros.
Surpresa temática
A percepção é compartilhada por Flávio Miguel, docente de língua portuguesa do Cemab, instituição de ensino público de Taguatinga (DF). Em sua visão, o assunto facilita o desenvolvimento argumentativo por integrar o debate público cotidiano. “É um tema fácil de ser trabalhado, diferentemente dos temas dos outros anos”, declarou.
Em contrapartida, a gerente de Redação do Poliedro Educação, Gabrielle Gulgueira Cavalin, classificou a escolha como uma grata surpresa que rompeu com o padrão recente das avaliações.
“Nos últimos anos, as minorias foram frequentemente contempladas pela prova, e era esperado que, neste ano, outro grupo minoritário fosse o foco da proposta. No entanto, o Enem surpreendeu ao não seguir essa tendência e trabalhar outro eixo temático, especialmente porque, nos últimos anos, tivemos muitas propostas relacionadas ao eixo da cidadania, com foco nas minorias.”
Já Carolina Siequeroli, gerente sênior da Redação Nota 1000 da Cogna Educação, destaca que quem acompanha as notícias leva vantagem. “Quem acompanha as atualidades têm maior chance de se destacar positivamente na realização da prova, posto que, nos últimos anos, principalmente por questões políticas, há a defesa do SUS e da sua ampliação na sociedade brasileira”, diz.
Estrutura e exigências
A prova de redação possui peso expressivo, respondendo por 20% da nota global do candidato, que deve redigir de oito a 30 linhas no formato dissertativo-argumentativo. Os especialistas reforçam que a palavra central da proposta é “valorização”, o que demanda argumentos consistentes voltados para a intervenção social.
“É muito importante que os candidatos trabalhem bastante a argumentação em relação a isso, principalmente na proposta interventiva”, ressalta Flávio Miguel, recomendando uma estrutura clara dividida em introdução com repertório sociocultural, dois parágrafos de desenvolvimento com teses fundamentadas e conclusão.
No mesmo sentido, Tatiana Nunes enfatiza que o sucesso no exame depende de análises críticas embasadas em fontes legítimas. “O candidato bem preparado vai ter que trazer para a prova repertórios contundentes, principalmente produtivos e legitimados, que não sejam, por exemplo, pautados em fake news.”
Foto: Agência Brasil / Reprodução Instagram
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Fonte: Agência Brasil
