Comunidades da etnia Guarani Kaiowá no estado de Mato Grosso do Sul registraram múltiplas ocorrências de violência, incluindo tentativas de homicídio e o risco de contaminação da água consumida pelos moradores, logo após o encerramento do pleito presidencial.
Conforme aponta o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), pelo menos cinco episódios de mortes violentas de nativos na região, registrados desde o sábado anterior, encontram-se sob apuração das autoridades competentes.
O coordenador do Cimi no estado, Matias Benno Rempel, relatou que os povos originários sofreram intimidações durante o processo de votação. “Caminhonetes que rodavam pelo território e algumas agressões aos indígenas para tentar causar pânico na comunidade e evitar que eles fossem votar”.
Apesar do cenário atual, o representante pondera que a hostilidade no território sul-mato-grossense é um problema contínuo. “Agora temos holofotes para a região. Mas o que aconteceu essa semana, as tentativas de assassinatos, elas ocorrem o tempo todo com a população indígena Guarani Kaiowá. Essa violência que está sendo chamada de violência pós eleitoral, ela é um componente permanente de milícias do campo”, disse.
Medidas legais e investigações
Em resposta aos fatos, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), o Ministério dos Povos Indígenas e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionaram a Polícia Federal e o Ministério Público Federal para exigir rigor nas investigações. Entre as ocorrências está um atropelamento intencional registrado no município de Coronel Sapucaia, área de fronteira com o Paraguai.
Levantamentos divulgados pela Apib indicam que, no período entre 2022 e 2026, meia dúzia de integrantes da etnia Guarani Kaiowá perderam a vida em decorrência de homicídios no território sul-mato-grossense.
Ameaça ao abastecimento hídrico
Outro ponto grave sob análise do Ministério Público Federal refere-se ao risco de contaminação do recurso hídrico utilizado pelos moradores como forma de retaliação política devido ao pleito nacional.
Um registro de áudio atribuído a um servidor público municipal de Tacuru traz declarações direcionadas contra os nativos pela escolha nas urnas. Na gravação ele fala: “ponha (sic) veneno na água, (vamos) matar essas praga na água”.
De acordo com o coordenador jurídico da Apib, Ricardo Terena, o acesso ao recurso hídrico na localidade é escasso, fazendo com que os habitantes dependam do atendimento por caminhões-pipa, suprimento que passou a ser evitado após a repercussão da gravação. Diante da gravidade, o órgão ministerial estabeleceu um prazo de 24 horas para que a administração municipal de Tacuru preste esclarecimentos sobre a veracidade do material, a autoria das ameaças e as providências adotadas.
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Fonte: Agência Brasil

