Comunidades originárias no Mato Grosso do Sul relatam uma escalada preocupante de hostilidades e violência logo após o encerramento do segundo turno das eleições presidenciais. Diante da gravidade da situação, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas acionaram a Polícia Federal para apurar os episódios recentes.
Um dos casos mais graves ocorreu na aldeia Jaguapiré, localizada no município de Tacuru, a cerca de 427 quilômetros de Campo Grande. Na ocasião, a residência da rezadeira Ñandesy Roberta, de 90 anos, foi totalmente destruída por um incêndio criminoso. De acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a ação criminosa também consumiu artefatos sagrados utilizados nas tradições do povo Kaiowá e Guarani, o que é apontado como uma afronta à liberdade religiosa e aos direitos fundamentais.
Em pronunciamento em rede social, Voninho Guarani Kaiowá, um dos coordenadores da Apib, cobrou providências enérgicas das autoridades. “Repudiamos todos estes acontecimentos e cobramos de todas as autoridades [públicas] competentes que nos ajudem investigando as pessoas, para que os responsáveis sejam punidos na forma da lei”, disse Voninho. A entidade estima que mais de 30 episódios de violência com motivação eleitoral tenham ocorrido contra os povos originários na região.
Como resposta aos relatos, o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, anunciou a criação de uma força-tarefa interministerial para centralizar o recebimento das denúncias. “O Ministério da Justiça também requisitou, de todas as corregedorias estaduais e do Distrito Federal, todas as denúncias que estão chegando, para a gente centralizar aqui, no âmbito do governo federal”, declarou o ministro.
Paralelamente, o Ministério Público Federal em Mato Grosso do Sul (MPF-MS) abriu procedimentos para investigar os fatos e garantir a segurança nas áreas afetadas. Enquanto em Naviraí o órgão concluiu que denúncias de homicídios decorrentes de conflitos políticos eram infundadas, em Tacuru o MPF exigiu esclarecimentos da prefeitura sobre a conduta de servidores municipais envolvidos em áudios com ameaças e ofensas, recomendando o afastamento cautelar e a abertura de processo administrativo disciplinar.
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Fonte: Agência Brasil


