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Indumentária de Mãe Bernadete passa a integrar acervo do Museu Nacional

Plantao da Nova by Plantao da Nova
02.11.2026
in Agência Brasil
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Indumentária de Mãe Bernadete é doada ao Museu Nacional
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O acervo do Museu Nacional, localizado no Rio de Janeiro, recebeu uma vestimenta pessoal da ialorixá Mãe Bernadete, emblemática líder da Comunidade Quilombola de Pitanga de Palmares, situada em Simões Filho, na região metropolitana de Salvador, na Bahia, e que foi assassinada no ano de 2023.

A entrega do vestido branco com detalhes azuis ocorreu pelas mãos de Jurandy Pacífico dos Santos, filho da religiosa, durante a programação da terceira edição do evento Diálogos da Reconstrução, focado em memórias e saberes tradicionais, sediado no bairro de São Cristóvão, na zona norte carioca.

“[A iniciativa] integra a proposta de reconhecer e preservar as memórias, os saberes e as práticas das comunidades quilombolas como patrimônios vivos, ampliando as possibilidades de representação dessas histórias na instituição”, informou a instituição.

Contexto da doação e ancestralidade

Consultado previamente pela administração do espaço cultural, o filho da líder aceitou o convite para eternizar a trajetória materna, ressaltando que o item vai muito além de um simples tecido.

“A doação da indumentária, não é apenas a doação de um objeto. Aquilo não se trata de um objeto. Se trata além disso. Se trata de ancestralidade. Se trata de uma mulher que dedicou 72 anos de sua vida para a defesa dos Direitos Humanos, dos quilombos e do território. Aquela indumentária para a gente de comunidade quilombola é a questão de manter a memória de Mãe Bernadete viva”, afirmou em entrevista à Agência Brasil.

Para o gestor cultural e familiar da ativista, a inserção da indumentária na instituição consolida a resistência da cultura afro-brasileira, historicamente marginalizada.

“Sempre foi não reconhecido pelo sistema. Isso é um reconhecimento. É o resgate da memória, a permanência dessa memória e o empoderamento desse povo”, concluiu.

Em documento redigido e repassado à Agência Brasil, Jurandy reforçou o impacto de ultrapassar as fronteiras territoriais da Bahia para alcançar um dos maiores centros de preservação do país.

“Ao integrar o acervo do Museu Nacional, a indumentária passa a contribuir para que futuras gerações, pesquisadores e visitantes conheçam não apenas a trajetória de Mãe Bernadete, mas também a história de resistência dos povos quilombolas e das comunidades tradicionais.”

“Estamos compartilhando com o Brasil e com o mundo um pedaço da nossa história, da nossa ancestralidade e da luta de um povo que continua resistindo. A memória de Mãe Bernadete permanece viva, porque seu legado continua!”, completou.

Para os descendentes, a roupa simboliza que a luta e a presença da defensora dos direitos humanos seguem ativas.

“A indumentária deixa de ser apenas uma peça de vestuário e passa a ser um patrimônio de memória, carregado de identidade, espiritualidade, afeto e representatividade”, concluiu.

Histórico do assassinato

O crime contra Mãe Bernadete aconteceu em 17 de agosto de 2023, dentro do próprio território quilombola em Simões Filho, onde criminosos invadiram o imóvel e dispararam dezenas de vezes contra a vítima. A investigação apontou que a motivação esteve ligada ao combate enérgico da liderança contra o avanço do tráfico de drogas na região. Ela já estava inclusa em programas de proteção desde o homicídio de seu filho, Binho do Quilombo, ocorrido em 2017.

Diálogo e representatividade cultural

O evento Diálogos da Reconstrução é uma realização vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), contando com parcerias do Projeto Museu Nacional Vive, da Unesco e do Instituto Cultural Vale. A meta principal do encontro é estreitar laços com autoridades tradicionais para garantir a pluralidade democrática do espaço.

“O encontro trata os saberes, as práticas e as narrativas quilombolas como patrimônios vivos. A proposta é refletir coletivamente sobre como musealizar essas memórias e como o Museu Nacional pode contribuir para valorizá-las e difundi-las”.

Thais Mayumi Pinheiro, diretora de Integração Museu e Sociedade, enfatizou a importância de escutar ativamente as demandas das comunidades sobre sua própria representação.

“Entender como os produtores e detentores de conhecimentos tradicionais querem se ver representados no Museu Nacional e, assim, reforçar o compromisso da instituição com a construção de um museu plural e democrático”, observou.

Por fim, Caio Gonçalves Dias, gestor de novas exposições do projeto de revitalização, pontuou o valor pedagógico e social da transmissão de saberes ancestrais.

“O papel do museu e o compromisso do PMNV é criar condições para que esses saberes sejam reconhecidos, respeitados e apresentados como as próprias comunidades entendem que devem ser”, definiu.

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Fonte: Agência Brasil

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