As comunidades indígenas da etnia Guarani Kaiowá situadas na região de fronteira de Mato Grosso do Sul receberão um contingente maior da Força Nacional. O reforço no esquema de segurança pública federal visa conter episódios recentes de violência e garantir a integridade dos moradores locais.
Estratégia integrada de monitoramento na fronteira
A medida foi confirmada pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, durante inspeção realizada em territórios indígenas próximos ao Paraguai. Acompanhado por uma delegação ministerial, o chefe da pasta visitou a aldeia Sassoró, em Tacuru, e a comunidade Taquapery, localizada no município de Coronel Sapucaia.
Para otimizar o atendimento às ocorrências, as equipes adotarão um protocolo operacional de resposta ágil. Conforme detalhou o ministro da Justiça e Segurança Pública:
“A Força Nacional inclusive, além da presença numérica atual, vai ter um reforço, está adotando um procedimento que eu reputo muito importante, que é o procedimento que eles chamam de Minuto a Minuto. Eles estarão sempre no terreno, sempre na área de operações disponíveis para se deslocar onde qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa aconteça, sendo acionados pela Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças estaduais.”
A ferramenta destacada pelo ministro utilizará captação de imagens e identificação imediata das situações para subsidiar a apuração de autoria e comprovação material dos delitos.
Investigação de ameaças e violência política
A mobilização das autoridades federais decorre de uma série de relatos sobre hostilidades dirigidas às populações tradicionais após o encerramento do segundo turno do pleito eleitoral, que resultou na reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Registros divulgados pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) apontam dezenas de episódios sob averiguação.
Entre os fatos de maior gravidade está a circulação de gravações de áudio com ameaças de contaminação criminosa no abastecimento hídrico da aldeia Sassoró, com suspeitas recaindo sobre um servidor da administração municipal de Tacuru. Em resposta, a Polícia Federal iniciou depoimentos e as análises sobre as condições da água foram ampliadas.
O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, pontuou que todas as informações recebidas passam por um filtro criterioso para separar denúncias antigas das ocorrências recentes:
“Nós recebemos 10 casos, depois de filtrar tudo que foi recebido. E desses 10 casos, quatro são aqui de Mato Grosso do Sul. Até o momento. Lógico que é uma averiguação preliminar. Apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político. Os outros atropelamentos até o momento não, mas é claro que não serão descartados”, disse.
Suporte e proteção às vítimas
Além da segurança ostensiva, a comitiva contou com a presença da ministra dos Direitos Humanos, Janine Mello. A pasta colocou à disposição o programa governamental de amparo e suporte individual para os indígenas ameaçados. Atualmente, mais de 80 lideranças e integrantes das comunidades sul-mato-grossenses já recebem acompanhamento oficial por meio dessa iniciativa.
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Fonte: Agência Brasil


