O acesso a medicamentos de uso contínuo no Sistema Único de Saúde deve passar por reformulações após avanço na Câmara dos Deputados. A Comissão de Saúde da Casa aprovou um projeto que estabelece novas diretrizes para facilitar a entrega de remédios essenciais, priorizando o tratamento de enfermidades crônicas como hipertensão, diabetes e câncer.
A medida coroa a tramitação de um texto que uniu, ao longo de uma década e meia, dezenas de propostas sobre o assunto. A versão acatada pelos parlamentares foi elaborada pela relatora e deputada Flávia Morais (MDB-GO), que modificou a proposta original para adaptá-la ao atual cenário legislativo brasileiro.
Impacto da reforma tributária na saúde
Segundo a parlamentar, a recente aprovação da Reforma Tributária tornou obsoleta a criação de novas desonerações por meio de leis ordinárias. A deputada ressaltou que a nova legislação fiscal já assegura um corte de 60% nos tributos incidentes sobre medicamentos em geral.
Além disso, o sistema tributário atualizado assegura alíquota zero para itens distribuídos pelo programa Farmácia Popular e fármacos voltados ao combate ao câncer, doenças raras, diabetes e pressão alta.
“Esse conjunto mostra que o desafio atual não é cobrir tributos, mas sim integrar a assistência farmacêutica, a regulação sanitária e o controle econômico do mercado”, destacou Flávia Morais.
Novas regras para a gestão e fiscalização
Com a mudança de foco proporcionada pela nova lei fiscal, o projeto aprovado direciona os esforços para o aprimoramento da gestão pública e o acompanhamento rigoroso do mercado farmacêutico nacional.
Entre as principais diretrizes fixadas pelo texto estão o monitoramento contínuo de gargalos de preço e desabastecimento, além de auditorias para verificar se a queda nos impostos está realmente beneficiando o bolso do cidadão na ponta final.
A proposta também desenha uma maior integração entre órgãos reguladores e de saúde, incluindo a Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (Rename), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), além da geração de inteligência de dados para o SUS.
Próximos passos no Congresso
Durante a análise na comissão, os deputados optaram por rejeitar trechos que previam desonerações genéricas, pedidos de corte no ICMS estadual e benefícios voltados a marcas comerciais específicas.
Como tramita em caráter conclusivo, a matéria seguirá agora para avaliação das comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Para que as regras sejam definitivamente adotadas, o texto ainda precisará passar pelo crivo do Senado Federal.
Fale com os jornalistas da Rádio Nova Fm 96.1 de Nova Andradina(MS)
Tem alguma denúncia, flagrante, reclamação ou sugestão de pauta para o portal Plantão da Nova? Envie direto para nossos jornalistas pelo WhatsApp (67) 98111-7869. O sigilo da informação está protegido e garantido nos termos da lei.
Fonte: Câmara Federal


